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domingo, 20 de julho de 2014

THE CRIMSON GHOST aka A CAVEIRA FANTASMA - 1946



SINOPSE:


A CAVEIRA FANTASMA planeja se apossar da invenção do Pf.Chambers, o poderoso CYCLOTRODE, que interfere na geração de energia elétrica, causando desastres e morte. Para conseguir êxito, ele se infiltra como um dos membros do diretório da Universidade de Ciências, mas o criminologista Duncan Richards e cientista-auxiliar do Pf.Chambers, irá combater o sinistro CAVEIRA FANTASMA e seus capangas, enfrentando diversos perigos e invenções diabólicas, como o "colar controlador" que uma vez colocado no pescoço das vítimas, as transformam em escravas sem vontade própria e caso removido, explode, matando quem estiver usando, além de um modêlo menor do CYCLOTRODE roubado, que gera destruição e caos para onde seus raios são emitidos. Para impedir o êxito do misterioso criminoso, Duncan precisa descobrir qual membro da diretoria da UNIVERSIDADE é o CAVEIRA FANTASMA e derrotar sua quadrilha liderada pelo astuto Ashe que sempre está em seu caminho.



Formato : AVI
Fonte : VHS-Rip
Tamanho: 1006MB
Duração: 06min.(média por capítulo)
Idioma : Inglês
Legendas : Português
TRADUÇÃO DAS LEGENDAS CARTWRIGHT

12 capítulos em 3 links 4shared:


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COMENTÁRIOS
POR CARTWRIGHT

Posso mesmo afirmar que nenhum outro vilão dos cliffhanger serials alcançou tanto sucesso e popularidade como o sinistro CRIMSON GHOST.
A máscara com uma caveira bem sinistra que até hoje ainda é impactante, ficou cultuada por muitas gerações e fez com que este serial da REPUBLIC se tornasse um êxito quando lançado em VHS onde recebeu uma versão colorizada e que é a versão postada aqui.
A caveira foi idealizada e montada pelo famosíssimo BOB MARK, um mestre do make-up, responsável por praticamente todos os serials produzidos na REPUBLIC e COLUMBIA. Ele foi o responsável pelo visual do ROCKET MAN de RADAR MEN FROM THE MOON e depois criou os mais mirabolantes aliens na série PERDIDOS NO ESPAÇO.

o rosto mais impactante dos serials numa criação mirabolante de BOB MARK


Sua máscara do CRIMSON GHOST era uma das mais procuradas(isso até hoje) nas festas de HALLOWEEN e  vendidas em larga escala. Nunca esqueço que no carnaval de 61, minha mãe me levou numa loja de artigos de carnaval no centro do RIO e eu vi a máscara do CRIMSON GHOST (era bem carinha, mas como eu me encantei com ela, acabei levando). Não seria exatamente como a  original, porque ao invés de borracha era tela, contudo bem pintada, tão perfeita e era importada, porque a caixa dizia CRIMSON GHOST MASK e tinha o vilão com uma arma na mão, a roupa preta igual ao filme, que na época eu não conhecia.

máscara e roupa do CRIMSON GHOST vendidas nas
lojas especializadas em artigos de HALLOWEEN

Quando eu ia com minha turma de meninos fantasiados nos lugares durante o carnaval, as crianças ficavam com muito medo de mim, até recebi uma proposta de um adulto que queria comprar ela. Claro que não vendi, fiquei impressionado e feliz com a reação que causava com ela. 
Não sei o destino desta máscara depois, quando acabou o carnaval nunca mais usei e não lembro o que foi feito dela. Foi uma baita surpresa alguns anos depois quando a TV RIO exibiu este seriado com os 12 capítulos editados e com o nome de A CAVEIRA FANTASMA. Minha irmã falou logo: "olha, é a sua máscara de carnaval!" e era mesmo. Foi quando descobri que se tratava de um serial. Esse fascínio também atingiu em cheio a banda punk hardcore, MISFITS que adotou o CRIMSON GHOST (Fiend Skull) como símbolo deles,também  IRON MAIDEN usou ela no THE NUMBER OF THE BEAST.

LOGO DO MISFITS

VIDEO OFICIAL DE AMERICAN PSYCHO DO MISFITS



VIDEO OFICIAL DE SCREAM DIREÇÃO DO GRANDE 
GEORGE ROMERO


MAIS UMA CURIOSIDADE 
DOWNLOAD DO CD "MISFITS PROJECT 1950"
COM JERRY  ONLY (MISFITS) DEZ CADENA (BLACK FLAG)  MARK RAMONE (RAMONES) RONNIE SPECTOR ( THE RONETTES) JIMMY DESTRI (BLONDIE) ED MANION (INÚMERAS BANDAS COMO SAXOFONISTA)


PROJETO COM COVERS DE BANDAS DO ANOS 50 ENTRE OUTROS TEMOS "JERRY LEE LEWIS" , "RICHIE VALLENS" E "BOB PICKETT"

Formato MP3
192 kbps
Link único Uptobox


Set list

01. This Magic Moment
02. Dream Lover
03. Diana
04. Donna
05. Great Balls of fire
06. Latest Flame
07. Monster Mash
08. Only Make Believe
09. Runaway
10. You belong to me


camiseta e a famosa coleção de cards
nos chicletes do CRIMSON GHOST


Todos os fãs de cliffhanger serials apontam THE CRIMSON GHOST como um dos melhores ou até o favorito para muitos. É interessante perceber que o capanga braço-direito da CAVEIRA FANTASMA, foi interpretado por CLAYTON MOORE que ficaria famoso depois ao se tornar THE LONE RANGER (erroneamente chamado aqui de ZORRO pela EBAL, mas que acabou imortalizado assim) no seriado de TV, exibido a primeira vez no BRASIL em 57 pela TV TUPI com muita audiência. Os episódios dublados pertenciam da quarta até à última temporada (54-57).

THE LONE RANGER foi o grande sucesso de CLAYTON MOORE
na televisão e o personagem era lançado em quadrinhos no
BRASIL pela EBAL como ZORRO

Seu fiel companheiro, o índio TONTO, um nome que apesar de ser usado aqui na língua latina com o significado de tolo, idiota, na verdade quer dizer "O Selvagem" no idioma nativo americano, sempre chamava LONE RANGER de KEMOSABE que significa "Amigo de Verdade".
Em todas as aberturas o narrador GERALD MOHR, bem conhecido aqui pelo papel principal como o Cel. O'Bannion no VIAGEM AO PLANETA PROIBIDO do diretor IB MELCHIOR e que é um dos meus 5 filmes favoritos de todos os tempos, abria a série com essas frases:

"A fiery horse with the speed of light,
a cloud of dust and a hearty
"Hi-yo Silver" - the Lone Ranger!
With his faithful Indian companion,
Tonto, the daring and resourceful masked
rider of the plains led the fight for
law and order in the early West.
Return with us now to those
thrilling days of yesteryear.
The Lone Ranger rides again!"

CLAYTON MOORE era acróbata de circo mas um acidente na perna direita fez com que abandonasse o trabalho e acabou participando de filmes como stunt e pequenos papéis até que obteve sua primeira chance no serial dirigido por WILLIAM WITNEY (seguindo o sucesso de 41 com THE JUNGLE GIRL do mesmo WITNEY), PERILS OF NYOKA 42, em que Clayton Moore faz o papel principal como Dr. Grayson ajudando a jovem Nyoka Gordon encontrar seu pai no deserto africano. Mesmo atingindo grande popularidade, MOORE foi combater na II Guerra e retornou em 46, já sem muita notoriedade, aceitando o papel de capanga em THE CRIMSON GHOST a pedido do amigo e diretor WILLIAM WITNEY. Mas ele logo retorna ao cast principal ao lado da própria LINDA STIRLING em JESSE JAMES RIDES AGAIN, tido como um dos maiores sucessos da REPUBLIC e que estabeleceu seu nome no universo do "bang-bang cliffhanger".

na foto à esquerda LINDA STIRLING imobilizada pela quadrilha
da CAVEIRA FANTASMA com CLAYTON MOORE de chapéu
no centro. Na foto à direita, CLAYTON MOORE no papel de
JESSE JAMES indo salvar LINDA STIRLING
em JESSE JAMES RIDES AGAIN


Em GHOST OF ZORRO ele faz o papel de Zorro ou Ken Mason, baseado livremente no personagem criado por Johnston McCulley que os estúdios DISNEY tornou célebre.
Foi assim que os produtores da série de TV THE LONE RANGER, contrataram MOORE para o papel do herói em 49, mas depois de ser demitido antes da 3ª temporada, ele continuou fazendo serials como bandido em RADAR MEN FROM THE MOON e o mocinho no seu último papel em cliffhanger, JUNGLE DRUMS OF AFRICA de 52.
Ele retorna ao papel de LONE RANGER em 54, pois o ator JOHN HART, que o substituíra na 3ª temporada não agradou os fâs e com os direitos comprados por JACK WRATHER neste ano, o produtor fez questão de contratar CLAYTON MOORE para o papel do herói da garotada, dizendo que ele sempre seria o imortal e verdadeiro LONE RANGER e jamais substituível. Seu sucesso como THE LONE RANGER pela ABC, lhe rendeu após a série, mais 2 filmes em longa (The Lone Ranger de 1956 e The Lone Ranger and The Lost City of Gold de 1958) e depois ainda fez várias apresentações em eventos, programas de TV como também participações especiais em filmes e shows no papel do herói dos quadrinhos.



A dupla principal de CRIMSON GHOST são dois nomes carimbados do cliffhanger: CHARLES QUIGLEY de DAREDEVILS OF THE RED CIRCLE e LINDA STIRLING, atriz que quebrou a imagem da garota frágil, fazendo muitos malabarismos, pilotando aeroplanos, saltando de carro em movimento, pulando de paraquedas e outras façanhas, marcando sua carreira como uma nova faceta das mulheres em seriados e séries de TV, onde participou em muitos sucessos das matinées como: THE TIGER WOMAN (papel de estreia que a lançou como a grande heroína dos cliffhanger serials), PURPLE MONSTER STRIKES e MANHUNT OF MYSTERY ISLAND entre muitos outros. Infelizmente , ela se afastou das telas ao casar com o roteirista e produtor SLOAN NIBLEY após filmar JESSE JAMES RIDES AGAIN com CLAYTON MOORE e depois fez algumas aparições a partir de 54 na TV, preferindo trabalhar mais como professora em faculdade e dona-de-casa cuidando de seus dois filhos.

LINDA STIRLING foi uma estrela conceituada nos serials
e a única a interpretar Zorro na versão feminina em
"Zorro's Black Whip" de 44 e vários outros papeis
importantes como na foto à esquerda. Na foto à
direita, CHARLES QUIGLEY e LINDA STIRLING
enfrentam A CAVEIRA FANTASMA no
clássico serial da REPUBLIC

O diretor WILLIAM WITNEY era um especialista em cenas de brigas como ninguém, usando tradicionais stunts de sua confiança e este serial seria seu último trabalho nos cliffhangers vindo a dirigir lotes de filmes do ROY ROGERS, séries de TV (curiosamente dirigiu cerca de 11 episódios do ZORRO da Disney e VINCENT PRICE em ROBUR O CONQUISTADOR DO MUNDO em 61). Em CRIMSON GHOST ele é ajudado pelo bem conhecido FRED BRANNON que esteve a frente de grande parte dos serials, quando estreou no excelente THE PURPLE MONSTER STRIKES que está postado aqui também no blog como MARTE INVADE A TERRA.
Outra curiosidade interessante é que a voz do CAVEIRA FANTASMA foi dublada por vários atores para que ninguém reconhecesse o personagem da diretoria que seria o vilão do serial. E realmente pouca gente conseguia acertar quem estava por trás da máscara, só revelado no minuto final do último capítulo.
Essa versão colorizada foi reduzida, evitando os longos períodos de créditos e recapitulação dos episódios anteriores, editando em sequencias exatas do momento em que um capítulo encerrava para começar o outro.
Nada importante, todavia foi omitido, permanecendo todas as cenas de ação, brigas e suspense intenso durante as 12 partes que foram originalmente lançados no cinema em 46. Em 1966 ele foi exibido como um filme de TV, com o nome de CYCLOTRODE X.

capa do VHS original e da versão colorizada com os 12 episódios
de CRIMSON GHOST editados a partir da exibição
de CYCLOTRODE X em 66 na TV Americana

No BRASIL infelizmente, com exceção dessa única vez que a TV RIO passou em 65, nunca mais deu as caras,
se tornando inédito e raro. Quero agradecer pela bilionésima vez ao DANIEL MATERIAGRIS que me enviou as legendas originais em espanhol e a versão em cores, para que eu pudesse fazer a tradução e postar esse tesouro dos serials.




EPISÓDIOS

01 - Atomic Peril
02 - Thunderbolt
03 - The Fatal Sacrifice
04 - The Laughing Skull
05 - Flaming Death
06 - Mystery of the Mountain
07 - Electrocution
08 - The Slave Collar
09 - Blazing Fury
10 - The Trap That Failed
11 - Double Murder
12 - The Invisible Trail

SCREENSHOTS



domingo, 13 de julho de 2014

HELL OF THE LIVING DEAD aka ZOMBIE CREEPING FLESH aka NIGHT OF THE ZOMBIES - 1980



SINOPSE:

Quando dois técnicos vão investigar um vazamento de gás tóxico, se deparam com um rato morto no "setor" onde estão. Logo ficamos sabendo que o tal gás esverdeado faz parte de uma tal "Operação Doce Morte" (Sweath Death). As pessoas contaminados pelo gás voltam à vida como zumbis


Formato: Avi / DVDRip
Tamanho:900 MB
Duração: 100 minutos
Idioma: Inglês
Legendas:Português (srt na pasta)

Legendas Traduzidas por Felipe M. Guerra
especialmente para o Fantaspoa 2007


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COMENTÁRIOS

A receita de um clássico filme de zumbi é que os zumbis têm de ser baleado na cabeça para morrer, você se transformar em um zumbi se for mordido, e um grupo de estranhos deve sempre trabalhar juntos como uma equipe para lutar contra eles. George A. Romero foi um dos primeiros a usar esta receita quando ele fez Night Of The Living Dead em 68. Mas Romero também fez uma crítica a sociedade moderna em seus filmes, enquanto a maioria dos filmes de zumbis italianos como HELL OF THE LIVING DEAD são mais focados no gore.
Este filme foi dirigido pelo lendário BRUNO MATTEI, não é um bom filme, tem atores péssimos, dublagem para o inglês pior ainda, usa imagens de documentários da vida selvagem com qualidades diferentes, nitidamente encaixadas para deixar com um tom mais exótico e tentar nos convencer de que estão em uma ilha exótica, um típico filme B.
Mas vou dizer para vocês que é o meu filme de zumbi preferido, junto com ZOMBI 2 de LUCIO  FULCI, os efeitos de maquiagem e gore, não são dos melhores, mas são interessantes.
VIRUS como também é chamado, foi sucesso de bilheteria em varios países ultrapassando o sucesso comercial de DAWN OF THE DEAD de ROMERO, isso prova que o filme é muito divertido, o roteiro foi de CLAUDIO FRAGASSO e BRUNO MATTEI foi chamado para a direção pela sua experiência com filmes de baixo orçamento, a trilha sonora é ótima ficou a cargo da ótima banda GOBLIN, mas o problema é que a trilha foi retirada dos filmes DAWN OF THE DEAD e ALIEN CONTAMINATION, e consequentemente seu lançamento foi atrasado por problemas jurídicos com relação a direitos autorais.


BANDA GOBLIN EM 1976

Bom traduzindo tudo, garanto que vocês não vão se arrepender, é um filme muito divertido, e graças a Felipe M Guerra do site Boca do Inferno que traduziu as legendas em 2007 especialmente para o FANTASPOA, podemos ter o prazer de assistir este que é um dos mais cultuados e clássicos filmes de zumbis da década de 80.



SCREENSHOTS



STAR CRASH aka SCONTRI STELLARI - 1979

POSTADO PRIMEIRAMENTE EM 28/08/2010



Sinopse: 

Èpico de ficção científica às margens do sucesso de Star Wars a respeito da batalha de um Imperador contra a ira de um Conde que sequestrou seu filho e quer dominar a Galáxia....

Formato: Avi/DVDRip
Tamanho: 700MB
Duração: 91 minutos
País: Itália
Idioma: Inglês
Legendas: Português ( srt na pasta )

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Produção: 

Roger Corman

Direção: 

Luigi Cozzi

Elenco:

 Christopher Plummer, 
Caroline Munro, 
Marjoe Gortner, 
David Hasselhoff, 
Joe Spinell




TRAILER

Comentários site Boca do Inferno:

Vasculhando as profundezas obscuras de minha sofisticada cultura de fungos (também conhecida como "minha coleção de fitas VHS"), encontrei Star Crash, uma impagável pérola esquecida de 1979. Ficção trash rodada na Itália e sem nenhum escrúpulo, o filme veio na cola quase que imediatamente de Star Wars, que George Lucas havia dirigido menos de dois anos antes, revolucionando o cinema de aventura e ficção científica e arrecadando milhões. Seu congênere, por outro lado, dispôs de um orçamento pra lá de modesto e, por isso, tudo o que conseguiu em seus 92 minutos de oportunismo bruto, foi criar um dos mais hilariantes e descarados plágios de que se tem notícia. E o que o torna ainda mais engraçado é o fato de se levar a sério.
A galáxia (o filme não especifica qual, mas supomos que seja a nossa) passa por um momento turbulento, com a crescente dominação do Conde Zarth Arn (Joe Spinell, de uma canastrice irretocável), que pretende derrotar o Imperador (Christopher Plummer, levando a coisa a sério) para assegurar seu total domínio e estender a Liga dos Mundos Obscuros para o restante do universo. Para impedir o avanço cada vez mais rápido do Conde e resgatar seu filho desaparecido, Simon (David Hasselhoff, aquele cara que estrelava o seriado A Super Máquina), o Imperador decide contratar os serviços de dois foras da lei espaciais: Stella Star (Caroline Munro, mais bela do que nunca) e Akton (Marjoe Gortner, mais songo mongo do que nunca). Resta a eles descobrir o esconderijo do Conde e sua arma secreta e devolver o equilíbrio galáctico para o bem do universo.






















ENTREVISTA DE LUIGI COZZI
POR FELIPE M GUERRA


Boca do Inferno: Seu filme mais conhecido é o Starcrash, de 1979, feito dois anos depois do sucesso de Star Wars. Fale sobre ele.
Cozzi: Starcrash teve um excelente elenco… Christopher PlummerCaroline MunroDavid HasselhoffJoe SpinellMarjoe Gortner… Todos eles foram pessoas muito gentis e excelentes profissionais, e nós tivemos muita diversão trabalhando juntos. Munro… bem, ela é uma mulher fantástica, de grande beleza. Eu a vi no filme The Golden Yoyage of Sinbad (Nota: filme de 1974, dirigido por Gordon Hessler), e disse ao produtor de StarcrashNat Wachsberger, que a queria como a heroína, Stella Star. No início, o produtor não me escutou e tentou conseguir uma estrela mais popular, como Rachel Welch ou Patti D’Arbanville. Mas elas não aceitaram ou pediram muito dinheiro. Então, quando estávamos bem próximos do início das filmagens, e ainda sem nossa estrela, o produtor se aproximou de mim como quem não queria nada e perguntou: “Hã, Luigi, há algum tempo você me falou sobre uma atriz inglesa que queria para estrelar o filme… Como era mesmo o nome dela?“. Foi assim que Caroline foi contratada. Até hoje, eu me considero sortudo por ter conseguido Caroline no elenco, porque ela ficou simplesmente fantástica no papel!O único problema de Caroline era seu marido, Judd Hamilton. Ele era um ator e, bem, não estava feliz em ver sua esposa no meu filme e ele fora do projeto. Então ele foi falar com o produtor. Para a gente poder se livrar dele, resolvemos oferecer o papel de robô! Assim, ele ficaria fechado dentro de uma armadura, onde não podia incomodar ninguém!
LUIGI COZZI DIRETOR DE STAR CRASH, ALIEN CONTAMINATION, PAGANINI HORROR EM SUA LOJA DEDICADA AO CINEMA FANTÁSTICO EM ROMA

Mas eu estava enganado. Embora sua participação fosse apenas com a voz, que ainda seria dublada depois, em cada cena que nós filmávamos ele perguntava: “Luigi, eu falei direitinho? Luigi, eu não falei bem, por favor, vamos refazer esta cena!“. E assim foi ficando cada vez pior! Por isso, para ser franco, eu amava Caroline, mas odiava seu marido!
Por outro lado, Christopher Plummer era um perfeito cavalheiro e um super profissional. Ele chegou, filmou comigo apenas um dia e meio e então pegou o avião de volta para casa! Assim era ele, um ator muito rápido, mas também muito bom. Ele é um excelente ator! Por isso, fiquei muito feliz ao reencontrá-lo algum tempo depois, no set de Nosferatu em Veneza.
Já David Hasselhoff era outro profissional perfeito. Foi ótimo trabalhar com ele. Eu o escolhi pessoalmente. Os produtores me mandaram fitas mostrando novelas americanas para que eu pudesse ver e escolher alguns jovens atores dos Estados Unidos. Entre eles, estava David. Eu disse ao produtor que tinha achado que ele era o melhor, e o produtor aceitou minha escolha e resolveu contratá-lo.
Joe Spinell era outro homem muito divertido. Ele era realmente um encanto, ficava sempre contando piadas para todos. E era muito prestativo, quando não estava atuando, ele oferecia ajuda para passar as falas com os outros atores. Spinell interpretou seu papel da forma que eu queria, com muito humor e auto-paródia.
Quanto a Marjoe Gortner, bem, no começo eu não estava muito feliz em relação a ele. Isso porqueStarcrash foi feito graças ao financiamento da Sam Arkoff´s American International Pictures, e Marjoe era um grande amigo de Sam, então quando ele ouviu falar daquele novo filme de ficção científica que estava sendo feito em Roma, insistiu para que Sam o colocasse nele. E Sam concordou, porque Marjoe tinha acabado de estrelar o filme Food of the Gods (Nota: A Fúria das Feras Atômicas, de Bert I. Gordon), que fez um monte de dinheiro para Arkoff. Você sabe como são essas coisas, não é? Então Marjoe pegou o primeiro vôo para Roma e marcamos um encontro para discutir que papel ele teria no filme. Foi aí que nós colidimos.

Veja bem, o meu roteiro tinha uma ideia principal: a heroína Stella Star, interpretada por Caroline Munro, era a única personagem humana na primeira metade do filme, assim sua beleza seria muito mais percebida. Na verdade, minha ideia era fazer uma versão “ficção científica” da história dos três mosqueteiros, com a fantástica Stella Star no meio e ao seu lado o robô Elle e o alienígena Akton. Sim, eu disse alienígena, esta era a minha ideia! No meu roteiro, Akton era um humanoide, uma criatura muito similar ao monstro do filme This Island Earth (Nota: filme de 1955, dirigido por Joseph M. Newman), que fosse feio, porém bonzinho e muito inteligente, além de ter vários poderes mentais. Como queriam que Marjoe fizesse o filme, pensei que ele poderia interpretar o Alienígena. Mas Marjoe ouviu minha ideia e simplesmente disse “Não!“, ele não iria, de forma alguma, cobrir o rosto com maquiagem, e disse também que já tinha falado com Arkoff e Arkoff havia autorizado ele a fazer conforme queria.
Então eu fui falar com meu produtor e ele disse: “Luigi, Arkoff é nosso distribuidor, ele é muito importante para nós. Para nós e para o seu filme. Então, por favor, encontre uma solução, mas não brigue com o Marjoe Gortner!“. No final, tive que desistir da minha ideia original, e Gortner interpretou Akton como um ser humano normal. Acho até que ele fez seu papel muito bem, mesmo que eu continue lamentando que a história não tenha sido como eu havia escrito originalmente, sendo Stella Star a única humana entre robôs, alienígenas e outras criaturas, onde sua beleza poderia se destacar muito mais!

Quando Starcrash foi feito, era uma importante produção americana, a primeira iniciada depois do sucesso de Star Wars. No começo da produção, inclusive, o compositor Ennio Morricone foi contratado para fazer a trilha sonora de Starcrash. Entretanto, nós tivemos um confronto de ideias e Morricone recusou-se a fazer a música do filme, então o produtor chamou John Barry. Ele não aceitou imediatamente, disse que queria ver o filme antes de dar sua resposta. Barry veio até Roma e eu o encontrei no laboratório de gravação, onde estávamos editando o filme. Mostrei a ele uma versão ainda não-acabada do filme e, durante as cenas, explicava para ele como imaginava que devia ser a trilha. Quando a exibição terminou, Barry me confessou que tinha gostado muito do filme, que tinha achado divertido. E foi assim que ele aceitou compor a trilha sonora de Starcrash.
Boca do Inferno: O figurino sexy usado por Stella Star, a heroína interpretada por Caroline Munro, lembra muito a Barbarella interpreta por Jane Fonda no filme de Roger Vadim. Você se inspirou emBarbarella?
Cozzi: Sim, tem influência da Barbarella, mas também me inspirei em capas de revistas de ficção científica dos anos 50, capas de romances, porque na Itália, nessa época, por volta de 1958, 1959, havia uma coleção que se chamava Astronauts in Bikini (risos), que eram uns romancezinhos estúpidos, mas com capas belíssimas. Eram as chamadas “pulp fictions“. Então, para fazer o figurino de Caroline, eu me baseei nas capas destes livros. Essas ilustrações são anteriores a Barbarella, são de 58, e aBarbarella é dos anos 60.
Boca do Inferno: Que outras influência você teve, além de Star Wars, é claro?
Cozzi: Todos os filmes desse gênero na época, como Forbidden PlanetWar of the Worlds (Nota: o clássico A Guerra dos Mundos)… Mas sobretudo os filmes com efeitos em stop-motion feitos por Ray Harryhausen, tipo Sinbad. Para mim, Starcrash é uma versão de Sinbad, no espaço, com uma garota. (risos)
Boca do Inferno: Recentemente, você sabe, George Lucas pegou seus velhos filmes da série Star Wars e adicionou um monte de efeitos especiais novos feitos por computador, tirando aquele estilo “anos 70“. E os novos filmes da série são praticamente feitos no computador. Se você tivesse a chance, e a tecnologia, mexeria também em Starcrash, adicionando novos efeitos?

Cozzi: Não, mas eu faria um novo filme do gênero nessa linha. Para mim, Star Wars é um filme tecnológico, enquanto Starcrash é um filme de fantasia, é diferente, feito propositalmente desse modo mais fantasioso. George Lucas fez uma ficção científica, enquanto eu fiz algo menos realista, mais voltado para o lado da fábula, dos contos-de-fadas. Sem dúvida, os efeitos de computador são outra coisa, hoje os meios são diversos. Mas os filmes modernos, exceto alguns poucos, não me atraem muito. Eles têm muitos efeitos de computador, não há mais personalidade. Há algum tempo atrás, os filmes eram menos perfeitos, mas havia mais personalidade, tanto em efeitos especiais quanto no âmbito pessoal da produção.
Boca do Inferno: E você gostou dos novos Star Wars?
Cozzi: Não. (risos) Prefiro os antigos.
Boca do Inferno: Você nunca pensou em fazer uma outra aventura com a personagem Stella Star, talvez um Starcrash 2?
Cozzi: Quando Starcrash foi lançado nos Estados Unidos, ele rendeu mais de 16 milhões de dólares, foi um grande sucesso para a produtora New World, de Roger Corman. E imediatamente depois disso,Judd Hamilton, o marido de Caroline Munro, me pediu para escrever um outro filme de ficção científica. Na época eu estava acabando de escrever uma aventura espacial chamada Star Riders, e entreguei este novo roteiro para Judd. Após alguns meses, ele me telefonou e me convidou para participar do Cannes Film Market, que acontece durante o Festival de Cannes, dizendo que queria fazer um negócio relativo a Star Riders.
Fui até lá e me encontrei com Menahen Golan, o presidente da Cannon Pictures, que tinha feito um acordo com Judd para produzir Star Riders. No começo, fiquei muito contente, mas depois descobri que Judd e seu amigo David Winters tinham reescrito meu roteiro de Star Riders e colocado nele a personagem Stella Star, que não estava na versão original. Eu fiquei muito triste com isso, porque eles não pediram minha permissão para fazer a mudança, e simplesmente recusei me envolver no projeto. Golan ficou decepcionado com minha recusa, enquanto Judd e Winters ficaram nervosos. Então eu expliquei a todos eles que Star Riders não foi escrito para ser uma nova aventura de Stella Star, e que se eles queriam um novo filme de Stella Star, eu poderia facilmente escrever um outro roteiro, um novo roteiro, mas antes de tudo eu precisaria negociar com Wachsberger, o produtor de Starcrash, porque ele havia registrado o nome Stella Star nos Estados Unidos e era uma personagem criada por ele e por mim. Na verdade, Wachsberger não tinha nada a ver com a personagem, foi uma criação totalmente minha, mas ele registrou o nome como se tivesse colaborado na criação de Stella Star, então aquilo virou um um problema: para fazer um novo filme de Stella Star, todos os interessados deveriam ter a permissão de duas pessoas, a minha e a de Wachsberger!
Como você pode ver, a situação toda estava uma bagunça. No fim, a Cannon ficou furiosa com Hamilton e Winters e colocou a culpa toda neles. Comigo foi diferente: Golan gostou do meu roteiro deStar Riders sem Stella Star e decidiu que iria fazer o filme de qualquer jeito. Nós trabalhamos um tempo na pré-produção, mas o resultado é que o filme ficou muito, muito caro. A história se passaria em um planeta aquático de uma galáxia distante, e a maioria do filme se passaria sobre a água ou debaixo dela (Nota: muito antes de Waterworld!), o que seria muito complicado e caro para filmar. Por diversos meses, eu tive encontros com Golan tentando descobrir uma maneira mais barata de fazer o filme, mas não encontramos. Então no final Golan me disse: “OK, vamos esquecer Star Riders, ele não pode ser feito com um orçamento reduzido. Mas eu ainda quero que você me faça um filme de ficção científica… Então, vamos fazer Space Vampires!“. A Cannon me contratou para fazer um roteiro baseado no livro Space Vampires, de Colin Wilson, e o trato era que se o roteiro fosse aprovado, eu também iria dirigir o filme. No fim, nem Space Vampires iria sair do papel.
Em todo caso, voltando a Star Riders, era um roteiro muito bom e original, muito caro, mas também extremamente espetacular, uma versão futurística da história bíblica de Moisés, que se passaria em um futuro distante, no planeta aquático. Na verdade, todo mundo gostou desde roteiro, não apenas Golan. A produtora de Sergio Leone pensou em financiá-lo, depois Mario Bava gostou do roteiro e tentou transformá-lo em filme, mas não conseguiu pela mesma razão: ele não poderia ser feito com pouco dinheiro! E no fim, o roteiro continua nunca filmado. Então um dia eu falei com A. E. Van Vogt, o escritor que me ajudou no roteiro, e pedi: “O que você acha de transformarmos a história em livro?“. Alguns anos depois, conseguimos acabar o livro e ele foi publicado na Itália como “um romance de A. E. Van Vogt e Lewis Coates“.
E não foi a única vez. Eu sempre achei uma pena escrever um bom roteiro e ter que deixá-lo perdido para sempre porque ele não foi filmado. Então eu peguei cinco ou seis de meus melhores roteiros nunca filmados e publiquei como livros na Itália, assim como novelizações dos roteiros de Starcrash eAlien Contamination, meu filme posterior, feito em 1980.


SCREENSHOTS:


Meu olha a cabeça desse robo, me fala o que parece?